Erros, gafes e equívoco apagam estrela em comédia, mas não se perde a piada
Entre tropeços do texto, cenário ruindo e muitas poltronas vazias, Silvio (Sebah Vieira) assume sua homossexualidade à lesada irmã Lourdes Maria (Bill da Pizza) e revela sentir uma forte atração pelo namorado dela, o caipira Marcelo (Fábio Lima). A disputa pelo rapaz é incessante em meio ao sonho de Silvio de ser uma drag famosa. A função de Sebah Vieira em seu próprio espetáculo não passa de “close” ou “carão” – termos usados por gays para designar a atitude esnobe e blasé de alguém, que tem como único objetivo promover a imagem de si mesmo, se sentindo unânime e superior. Poderia até ter feito um monólogo para sentir-se bem melhor. E esta definição cabe ao autor, produtor e protagonista da peça. Entretanto, não era ele o mais aguardado pelo público, mas o coadjuvante também gay Bill, que levou de sua pizzaria boa parte do pequeno público de “A Estrela sou Eu”. Fábio Lima é um jovem ator, que apresenta uma ótima caracterização e interpretação para o roceiro ingênuo Marcelo. Mas não empolga como comediante e se apaga na história. O cenário é antiquado, inadequado e de mau gosto: escada que cai no entra-e-sai de atores; carpete que dificulta o trânsito em cena; móveis velhos e arranhados que não condizem com a vida classe média de seus personagens. O figurino é bem improvisado, à exceção das perucas que resolvem criar vida e tirar os atores do palco. E não foi por falta de patrocínios e apoiadores. Para dar mais dinamismo à comédia, Sebah levará um convidado diferente (personalidade) todas as quartas-feiras, para fazer parte da história. O primeiro da lista é o travesti André Luiz Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, a garota de programa do craque Ronaldo “Fenômeno”. Em tempo, o travesti não é artista, tampouco personalidade. Bill, ao final do espetáculo, desculpa-se pela sua falta de memória para lembrar do texto em cena, justificando a falta de costume para a profissão de ator, que ele não a tem. Ainda sim, é válido sair de casa para conferir a comédia, pois a história se perde e o debochado se torna um espetáculo, com muitas gargalhadas. Serviço
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