Erros, gafes e equívoco apagam estrela em comédia, mas não se perde a piada

por Adolfo Ferraz
adolfo.ferraz@geleiageral.com.br

24-06-08 - Em cartaz pela terceira semana, a comédia “A Estrela sou Eu”, de Sebah Vieira, mantém um grande equívoco desde sua estréia, já na porta do Teatro do Ator, no centro de SP. O que se vê no palco não condiz com o anúncio do flyer entregue na recepção do teatro, que anuncia no elenco a drag queen Dimmy Kieer dentre o trio de comediantes. Em seu lugar, Bill, gerente de uma pizzaria em SP freqüentada pelo público GLS – o mesmo do espetáculo –, que nem tem sua foto estampada no convite, como os demais, com apenas uma menção honrosa nos agradecimentos.

Entre tropeços do texto, cenário ruindo e muitas poltronas vazias, Silvio (Sebah Vieira) assume sua homossexualidade à lesada irmã Lourdes Maria (Bill da Pizza) e revela sentir uma forte atração pelo namorado dela, o caipira Marcelo (Fábio Lima). A disputa pelo rapaz é incessante em meio ao sonho de Silvio de ser uma drag famosa.

A função de Sebah Vieira em seu próprio espetáculo não passa de “close” ou “carão” – termos usados por gays para designar a atitude esnobe e blasé de alguém, que tem como único objetivo promover a imagem de si mesmo, se sentindo unânime e superior. Poderia até ter feito um monólogo para sentir-se bem melhor. E esta definição cabe ao autor, produtor e protagonista da peça. Entretanto, não era ele o mais aguardado pelo público, mas o coadjuvante também gay Bill, que levou de sua pizzaria boa parte do pequeno público de “A Estrela sou Eu”. Fábio Lima é um jovem ator, que apresenta uma ótima caracterização e interpretação para o roceiro ingênuo Marcelo. Mas não empolga como comediante e se apaga na história.

O cenário é antiquado, inadequado e de mau gosto: escada que cai no entra-e-sai de atores; carpete que dificulta o trânsito em cena; móveis velhos e arranhados que não condizem com a vida classe média de seus personagens. O figurino é bem improvisado, à exceção das perucas que resolvem criar vida e tirar os atores do palco. E não foi por falta de patrocínios e apoiadores.

Para dar mais dinamismo à comédia, Sebah levará um convidado diferente (personalidade) todas as quartas-feiras, para fazer parte da história. O primeiro da lista é o travesti André Luiz Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, a garota de programa do craque Ronaldo “Fenômeno”. Em tempo, o travesti não é artista, tampouco personalidade.

Bill, ao final do espetáculo, desculpa-se pela sua falta de memória para lembrar do texto em cena, justificando a falta de costume para a profissão de ator, que ele não a tem.

Ainda sim, é válido sair de casa para conferir a comédia, pois a história se perde e o debochado se torna um espetáculo, com muitas gargalhadas.

Serviço
“A Estrela sou Eu”
Gênero: Comédia
Teatro do Ator – Praça Franklin Roosevelt, 172 – Consolação - SP
Horário: Quartas-Feiras, às 21h (até agosto)
Direção: Sebah Vieira
Elenco: Sebah Vieira, Bill e Fábio Lima
Ingressos: R$ 20,00
( (11) 3257-2264

 


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