Sérgio Loroza lança o seu primeiro CD e fala sobre a Dança dos Famosos
por Adolfo Inácio
adolfoinacio@geleiageral.com.br
Foto: Divulgação
03-07-07 - Sérgio Loroza, 40, intérprete do trambiqueiro Seu Figueirinha no humorístico A Diarista (Globo), aproveitou a sua passagem triunfal pela quarta edição da “Dança dos Famosos” do Domingão do Faustão, para lançar o seu primeiro disco solo, “MBP – Música Brasileira de Pista”, que agitou a platéia do programa, todos os domingos, com o hit de trabalho “Hasta la Pista, Baby”.
Do programa, “Serjão”, como é chamado pelos seus amigos, não levou o prêmio conquistado pelo ator Rodrigo Hilbert, mas superou fortes candidatos ao título da competição, fez grandes amigos e foi encantado por uma jovem loira. “Ela é muito linda e gente boa. Me ajudou muito”, declara. Casado e pai de dois filhos, o ator se diz seguro para separar seus sentimentos e avalia o seu humor. desabafa sobre a sua obesidade em um país considerado por ele tão preconceituoso.
O comediante virou notícia de destaque na semana de moda no Rio de Janeiro, ao desfilar a coleção primavera/verão da grife Complexo B vestido de deus africano. “Agora, sou modelo”, brinca. Sérgio Loroza admite ter curtido os cinco minutinhos de modelo, mas desabafa à reportagem do Geléia Geral sobre a sua obesidade em um país considerado por ele tão preconceituoso.
Geléia Geral – O seu primeiro CD solo chegou como uma novidade no sentido de que você até então era apenas um ator comediante que decidiu agora virar cantor. Há quanto tempo você canta?
Sérgio – Na verdade, a música já faz parte da minha vida antes mesmo de eu atuar. Eu tinha uma banda de soul music e a gente tocava para a galera e tal. E a idéia de fazer esse CD era a de criar algo para a pista mesmo. Por isso, chama MBP. A galera tem curtido muito. O Fausto meu deu a maior força para divulgar o CD, o Sérginho (Groisman, no Altas Horas) também. Tem a minha cara.
G.G – Na “Dança dos Famosos 4”, você foi tido como a grande “zebra” do programa por desbancar fortes concorrentes ao prêmio. Como é isso para você?
Sérgio – Aquilo foi um mico! (risos). Na verdade, eu fui convidado pelo próprio Fausto (Silva, o Faustão), que queria me ver pagando mico no programa. Até quando me ligaram, eu perguntei: “Por que eu? Está de brincadeira!” (risos). O Fausto queria que eu participasse da “Dança no Gelo”, mas aí era querer demais, pô! Seria whisky Black Label para todo mundo cada vez que eu caísse (risos). Mas topei e fui pagar uns micos lá.
G.G – Já tinha o hábito de sair para dançar?
Sérgio – Nada! Dançava assim tipo um black com os amigos, mais solto, não como no programa que tem coreografias, malabarismo (risos).
G.G – A competição começou com doze casais e você chegou até a seminifinal. Esperava ir tão longe?
Sérgio – De jeito nenhum. Eu costumava dizer lá no Projac que a Sabrina (Cabral) extraiu de mim tudo que eu achava que não tivesse. Tinham coisas que ela inventava, e eu falava: “Ah, isso não dá, não!” (risos). Mas ela dava um jeito para tudo. E ficar entre os quatro, para mim, já foi uma grande vitória. Eu pensei que fosse o primeiro a ser eliminado.
G.G – Você opinava muito na coreografia?
Sérgio – Ah, às vezes, sim, senão a Sabrina abusava do negão aqui (risos).
G.G – Ela te fazia acreditar no teu potencial?
Sérgio – Muito. A Sabrina é a minha paixão, sou apaixonado por ela. Quando eu imaginava que, para mim, era o fim da linha, ela conseguia arrancar mais de mim. Eu suei, velho! (risos). Ela é muito linda, muito gente boa. O bacana disso tudo é a amizade que fica. Nem posso ficar falando isso, senão dá briga em casa (risos).
G.G – Você é casado?
Sérgio – Sim, sou casado (com a Beatriz), tenho dois filhos (Luiza e João Felipe) também. Mas a minha esposa dava a maior força, curtia aquela palhaçada toda (risos).
G.G – E como você conciliava a competição, com A Diarista e, agora, o lançamento do CD?
Sérgio – Olha, era bem corrido. A gente grava (o humorístico) duas vezes por semana, e estava todo dia lá no Projac. Com o CD, não tinha muito problema, até porque eu o divulgava em alguns programas da casa lá mesmo no Projac.
G.G – Mas era uma maratona?
Sérgio – Sem dúvida uma maratona, muito corrido mesmo.
G.G – Conseguiu emagrecer bastante?
Sérgio – Deu para perder bastante peso. Não sei quanto porque não tem balança para mim. As balanças vão até 150kg, e eu estava com 180kg. Mas vejo pelas roupas que eu usava e que ficam caindo.
G.G – Até quando vai seu contrato com o humorístico A Diarista ou com a emissora?
Sérgio – Então, eu tenho contrato com o programa, não com a Globo. Mas não sei até quando vai não, até porque não tem previsão de acabar. Na verdade, eu comecei com uma participação, não fixo. Quem fazia o meu personagem era o Leandro Firmino (intérprete do Zé Pequeno no filme “Cidade de Deus”). Aí, ele acabou pedindo para sair e eu fiquei no lugar dele, logo no começo.
G.G – É difícil trabalhar com a Claudia Rodrigues?
Sérgio – A Claudinha é pirada, muito gente boa. Ela me adora e eu a adoro também. É uma parceria maneira. Ela me ajuda muito.
G.G – Quantos anos você tem de carreira?
Sérgio – Cara, é desde 85. Então, são uns 22 anos já. Tempo, né?
G.G – Não te incomoda ficar caracterizado pela comédia?
Sérgio – Eu adoro fazer comédia, empresto um pouco de mim ao personagem quando faço. Não sei como me sairia fazendo um outro tipo de papel, mas, se rolar, não teria problema. O artista tem que estar pronto para tudo na vida.
G.G – Sérgio, você deve sofrer preconceito duplamente, por raça e estereotipo. Isso realmente acontece?
Sérgio – (irônico) Preconceito? No Brasil? Imagina! Isso não existe aqui (risos). Com certeza, existe e comigo não seria diferente. Pô, eu vejo pela dificuldade que eu tenho para comprar roupa. Não há lojas para gordo, é uma ou outra só, ainda mais com o meu biotipo. E eu não sou nenhum galã também. Tenho esse meu jeito extrovertido e tal, mas não sou bonitão.
G.G – Mas você causou frisson na platéia do Fashion Rio deste ano, desfilando para a coleção de verão da grife Complexo B.
Sérgio – Você viu? Entrei cheio de marra desfilando como um deus africano numa roupa toda branca e tal (risos). Foi bacana! A Complexo B queria fazer uma coisa bem diferente, mesclar vários tipos de beleza. Aí me ligaram e eu topei fazer. Muito legal.
G.G – Faria de novo?
Sérgio – Pô, sem dúvida. Agora, sou modelo (risos).
G.G – Faz o quê quando não está trabalhando?
Sérgio – Caçando trabalho (risos). Eu não sou de ficar parado, sempre estou ocupado com alguma coisa. A Claudinha mesmo fala que, enquanto temos muito trabalho, isso é bom. O ruim é quando não tem nada. Aí você vê esse pessoal na TV falando que está estudando propostas, vendo projetos. É mentira, velho! O cara não tem nada, está sem trabalhar, fica dando desculpas. Então, sempre estou caçando algo para fazer.
G.G – Mas chega a ser “workaholic”?
Sérgio – Não. Tenho tempo para a minha família, minha esposa, os meus dois filhos. Saímos, nos divertimos e tal. Por isso, digo que sempre estou fazendo alguma coisa.
