BOPE: Corrupção, farsa e violência em um best-sellerporAdolfo Ferraz Sem querer ser piegas, o Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, não será tão igual. Muito menos o narcotráfico regido pelos morros cariocas e sustentado pela elite do Estado e, segundo a obra, também pelos próprios comandantes deste órgão destemido, porém, vendido. “Elite da Tropa” é uma literatura policial inteligente, bem escrita, detalhista e, sobretudo, corajosa. Traz relatos ficcionais, no sentido de que todos os cenários, fatos e personagens foram alterados, recombinados e tiveram seus nomes trocados. Entretanto, falam de experiências particulares de policiais que expõem a segurança pública do Rio de Janeiro como algo inseguro, como seu suposto plano para matar Leonel Brizola, então governador do Estado. Não é menos contraditória do que “Tropa de Elite”, que coloca a instituição como um antídoto para corrupção – mesmo quando a linguagem é propina dentro e fora do batalhão. E a mentira é deslavada: os diálogos dos personagens (reles policiais, bandidos suburbanos ou novos ricos, graças ao tráfico) parecem ter sido interpretados por Fernando Pessoa ou Paulo Coelho, que, nem em suas grandes obras, usaram palavras tão rebuscadas. “A polícia tem sido uma grande mentira, que, afeta, em primeiro lugar, os próprios policiais. O que não aceito é que continuemos o joguinho, a farsa, em silêncio, fingindo que não está acontecendo nada” (sic) – trecho do livro que explica seu lançamento. Em tempo, a obra é uma viagem instigante não apenas por ser de grande interesse público, mas por revelar-se uma literatura policial reflexível. Os autores já deveriam pensar em sua continuação, pois a história que traz investigações curiosas está inacabada.
Ficha Técnica
|