O Véu Pintado ganha mais uma versão no cinema

por Priscila Reis Miranda
pmiranda@geleiageral.com.br

10-07-07 - Não é à toa que este livro já rendeu três produções cinematográficas, uma com a diva Greta Garbo. A mais recente versão para o cinema está em cartaz e se chama, na tradução dos distribuidores brasileiros, O Despertar de uma Paixão. Estrelado e produzido por Naomi Watts e Edward Norton, a obra trata de temas universais como amor e redenção e vem mexendo com a cabeça das pessoas há mais de 80 anos.

Trata-se de mais uma obra-prima de William Somerset Maughan, escritor europeu muito cultuado no início do século passado, autor dos clássicos Servidão Humana e O Fio da Navalha, este também transposto para o cinema, mas já em 1984, com Bill Murray no papel principal, um pouquinho antes de bombar em GhostBusters.

Aqui, Maughan narra os encontros e desencontros do casal Walter e Kitty Fane. Por razões equivocadas eles acabam se casando e iniciam uma história sofrida que envolve amor, traição e vingança. Isso porque Kitty Fane começa a trama como uma personagem frívola, hedonista e egocêntrica, o espectro de uma gata, como o nome da personagem denuncia. O drama ganha ares exóticos com a mudança dos recém-casados para a efervescente Hong Kong, na China.

Ao saber que a esposa o traía impiedosamente com um cafajeste local, Walter percebe o erro que cometera ao se casar com ela, e, como vingança, acaba levando-a para uma cidade bem distante da metrópole chinesa, devastada por uma epidemia de cólera. Assim, o bacteriologista Fane acaba tendo de lutar contra a doença que historicamente vitimou, de forma trágica, milhões de pessoas na região. A própria casa em que vão morar acabara de ser desocupada por uma família inteira de missionários que sucumbiu à doença.

Em meio à miséria humana e ao horror da peste, Kitty Fane encontra um novo sentido para a sua vida e acaba até encontrando um novo caminho para o casamento. Mas eis que o destino reserva ao casal a pior das arapucas. Prepare-se para um enredo fascinante, até perturbador, com a maestria que Maughan conseguia alcançar ao explorar os limites da alma humana como ninguém. Escrito em 1925, e apesar de fortemente localizado naquele tempo, o livro nos dá a impressão de que a história é atemporal por conta da atualidade dos temas propostos. Drama de primeira linha que tem tudo para arrebatar fãs ainda por mais oitenta anos, é imprescindível em qualquer biblioteca, assim como os outros clássicos do autor.

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