“O Signo da Cidade”, com Bruna Lombardi, é uma perturbação atrás da outrapor Adolfo Ferraz
O drama passa-se na pacata cidade de São Paulo com a radialista e astróloga Teca (Bruna Lombardi), que dá conselhos a ouvintes perturbados e suicidas, com deficiências sentimentais, e acaba se apaixonando – com a ajuda da amiga alpinista social Mônica (Graziella Moretto) – pelo marceneiro Gil (Malvino Salvador), casado com a infiel e também perturbada Lydia (Denise Fraga). Acometidos pela solidão, os ouvintes e a própria Teca vão se desfazendo pouco a pouco. Força, fragilidade e diferenças se misturam a histórias paralelas (para não dizer dispersas), porém, mais interessantes. “O Signo da Cidade”, apesar do morno roteiro, destaca a história do travesti Josialdo, que nasceu para ser mulher – personagem do jovem talentoso Sidney Santiago, 23, ainda desconhecido do grande público. Nem por isso deixou de levar o prêmio de Melhor Ator na sua estréia no cinema, pelo filme “Os 12 Trabalhos” (2006), de Ricardo Elias. Desbancou o favorito Selton Mello. Juca de Oliveira e Luis Miranda levaram, respectivamente, os prêmios de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante por suas performances no longa-metragem de Riccelli, no Festival de Cinema de Goiânia. Juca está apagado. Graziella Moretto teve atuação simplória, mas marcante, como é de costume. Denise Fraga não decepcionou e Kim Riccelli, filha de Bruna com o diretor, estreou bem. Por sua vez, Bruna Lombardi é o colírio para os olhos ao aparecer na telona. Sem qualquer verdade, não teve o mesmo encanto como intérprete, muito menos como roteirista, embora tenha conquistado o prêmio de Melhor Roteiro no mesmo festival. O texto traça histórias paralelas, que não se interligam e, conseqüentemente, ficam mal resolvidas. Mal resolvidas porque perdem espaço para o romance central, que não vai nem racha. A fotografia, a trilha sonora e as locações externas são de bom gosto e condizem com o quê Lombardi retrata. Ficha Técnica
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