“O Signo da Cidade”, com Bruna Lombardi, é uma perturbação atrás da outra

por Adolfo Ferraz
adolfo.ferraz@geleiageral.com.br

15-01-08 - A mais nova produção nacional “O Signo da Cidade”, escrita por Bruna Lombardi e dirigida pelo marido Carlos Alberto Riccelli, é um presente de casamento a ser exibido oficialmente dia 25 de janeiro. Na falta de um anel de diamantes, vai uma caneta para escrever um filme e um apóio familiar para colocá-lo em circulação.

O drama passa-se na pacata cidade de São Paulo com a radialista e astróloga Teca (Bruna Lombardi), que dá conselhos a ouvintes perturbados e suicidas, com deficiências sentimentais, e acaba se apaixonando – com a ajuda da amiga alpinista social Mônica (Graziella Moretto) – pelo marceneiro Gil (Malvino Salvador), casado com a infiel e também perturbada Lydia (Denise Fraga). Acometidos pela solidão, os ouvintes e a própria Teca vão se desfazendo pouco a pouco. Força, fragilidade e diferenças se misturam a histórias paralelas (para não dizer dispersas), porém, mais interessantes.

“O Signo da Cidade”, apesar do morno roteiro, destaca a história do travesti Josialdo, que nasceu para ser mulher – personagem do jovem talentoso Sidney Santiago, 23, ainda desconhecido do grande público. Nem por isso deixou de levar o prêmio de Melhor Ator na sua estréia no cinema, pelo filme “Os 12 Trabalhos” (2006), de Ricardo Elias. Desbancou o favorito Selton Mello.

Juca de Oliveira e Luis Miranda levaram, respectivamente, os prêmios de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante por suas performances no longa-metragem de Riccelli, no Festival de Cinema de Goiânia. Juca está apagado. Graziella Moretto teve atuação simplória, mas marcante, como é de costume. Denise Fraga não decepcionou e Kim Riccelli, filha de Bruna com o diretor, estreou bem.

Por sua vez, Bruna Lombardi é o colírio para os olhos ao aparecer na telona. Sem qualquer verdade, não teve o mesmo encanto como intérprete, muito menos como roteirista, embora tenha conquistado o prêmio de Melhor Roteiro no mesmo festival. O texto traça histórias paralelas, que não se interligam e, conseqüentemente, ficam mal resolvidas. Mal resolvidas porque perdem espaço para o romance central, que não vai nem racha.

A fotografia, a trilha sonora e as locações externas são de bom gosto e condizem com o quê Lombardi retrata.

Ficha Técnica
“O Signo da Cidade”
Gênero: Drama
País/Ano: Brasil (2007)
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi
Elenco: Bruna Lombardi, Juca de Oliveira, Malvino Salvador, Luis Miranda, Eva Wilma, Denise Fraga, Graziella Moretto, Sidney Santiago e Kim Riccelli.
Duração: 95 minutos

 


 

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