Ciência & o sucesso da cantora Adele
Você acha que existe uma receita pronta para fazer com que uma música faça sucesso? Provavelmente isso não existe, mas alguns cientistas decidiram fazer uma “engenharia reversa” do sucesso “Someone Like You”, da cantora Adele, para descobrir o que há por trás de todo o sucesso da canção. Segundo o The Wall Street Journal, todas as respostas remetem às apoggiaturas.
São recursos ornamentais da música, responsáveis pela criação de uma tensão nos ouvintes. Isso acontece devido à repetição dos padrões de notas, que possuem um padrão progressivo de tons. Ao final de uma sequência, ele é repetido e isso acontece por várias vezes. É a constante relação de euforia e quebra que faz as pessoas ficarem presas à canção.
Martin Guhn, psicólogo da Universidade da Columbia Britânica (Canadá), diz que “a música começa com um padrão suave e repetitivo” e que a letra da música, em congruência com a entonação da cantora, também contribui para a criação de uma atmosfera mais tensa em toda a canção.
Um recurso utilizado no refrão é o aumento do tom de voz, que sobe uma oitava completa. Nesse momento, o dramatismo é aumentado ainda mais, fazendo com que os ouvintes sejam comovidos pela junção de letra, volume e tom de voz. A tensão só é quebrada pelo final do refrão, quando a cantora volta ao estado anterior.
Esta quebra no clima do refrão também é responsável por uma ativação do sistema nervoso simpático. Com isso, o coração acaba acelerando e o corpo pode até mesmo suar. Dependendo do contexto, isso pode ser interpretado de uma maneira positiva (alegria) ou negativa (tristeza). No caso da música de Adele, o contexto estimula a tristeza.
Em suma, todas as apoggiaturas e mudanças de tonalidade fazem com que a canção seja transformada em um incrível sucesso. E é também por isso que você ouve a música várias vezes sem cansar.
Matéria original aqui [Tecmundo]
Oscar em pintura
Quando minha irmã mais velha casou e foi morar em seu próprio lar, deixou em nossa casa uma enorme suíte desabitada. O quarto permaneceu assim, abandonado por um longo tempo, até que um dia meu amigo lanchando na cozinha disse de boca cheia “Você devia se mudar pra ele”. A ideia era boa, eu realmente poderia fazer uso de mais espaço, só havia um contra: as cores do quarto, paredes vermelhas. Aquela combinação poderia ter funcionado com minha irmã, mas definitivamente não comigo. Assim, munido de boa vontade, mas nenhuma experiência, rumei com passos fortes em direção a loja de material de construção em busca de uma nova coloração para o tal aposento. No caminho eu pensei que cores claras seriam a melhor opção, por isso quando cheguei sem folego ao balcão falei decididamente:
- Tinta branca, por favor.
Sem levantar os olhos do teclado onde digitava o atendente perguntou:
- Qual delas?
- “Qual delas?” – repeti eu sem entender.
Comecei a pintar com o mesmo ânimo que teria se estivesse tentando fazer a estátua do Cristo redentor rir e pular
O atendente olhou pra mim por cima das lentes dos óculos como se eu fosse inacreditavelmente burro e, com uma longo suspiro me entregou um catálogo que tirou de debaixo do balcão. O catálogo se desdobrava em três, mostrando uma infinita variedade de brancos com nomes que para mim, mais pareciam ter saído do menu de algum restaurante: “Iogurte natural”, “Nata fresca”, “Merengue”, Água com gás”, “Açúcar refinado”, não lembrava de nenhum desses nomes gastronômicos no meu conjunto de guache no primário. Por fim decidi-me por algo mais light: “Branco gelo”.
- Vou precisar também de um pincel – falei.
- Qual tipo? – o atendente retrucou.
- De pintura? – pensei em voz alta.
O atendente revirou os olhos.
Já em casa, como material adequado, me empenhei em forrar o chão para que a tinta não o manchasse. E para isso utilizei uma vasta coleção da revista CARAS que estava guardada num dos cantos da casa. Descobri que se não arrancasse a página e colocasse imediatamente no chão, algum artigo iria chamar minha atenção e eu acabaria perdendo o foco, lendo sobre a festa de aniversário de alguma socialite rica.
As instruções da lata de tinta diziam ‘Diluir em 20% de água’. – Ora, nada de frugalidades! disse eu jogando quase um galão de água e misturando tudo. Na parte da frente da lata a ilustração mostrava um pintorzinho segurando um rolo de pintura e dizendo ‘É mais fácil do que você imagina!’ E abaixo dele havia seu nome: ‘Zezinho’. Comecei a pintar com o mesmo ânimo que teria se estivesse tentando fazer a estátua do Cristo redentor rir e pular. Mas se ‘Zezinho’ sendo apenas uma ilustração conseguia pintar, também podia eu. Assim, horas depois, na oitava demão de tinta eu já havia estabelecido duas verdades:
- ‘Branco-gelo’ não é branco e tampouco tem cor de gelo.
- Siga sempre as instruções da lata.
Numa das páginas de revista que forravam o chão, Júlia Roberts em seu melhor vestido do Oscar, olhava reprovadoramente para o resultado da minha pintura. – É que sou inciante – apressei-me em explicar. Na página ao lado na seção de ‘citações’ havia a frase “Nunca desista de seus objetivos”.
Mais tarde, naquele dia, me sentindo tão fracassado quanto Van Gogh após cortar a orelha, decidi parar e aceitar minha incapacidade com relação a pintura de interiores. Para minha surpresa, verdadeiro milagre operou-se durante a noite, porque na manhã seguinte a tinta havia secado e tudo estava perfeito. Dessa vez Júlia parecia sorrir alegremente para minha criação. Não ganhei o oscar, mas valeu a indicação.
Epifania da louça
Assim como lamber a tampa metálica do iogurte ou passar horas de alegria estourando plástico bolha a maioria dos cristãos já deve ter se perguntado se afinal sua carreira vai ter uma final feliz. Não é preciso ser teólogo para saber que o evangelicalismo moderno anda longe de ser o que Cristo pregou, quando lideres de igrejas estão mais preocupados com a quantidade de membros (e seu saldo bancário), e ‘membros’ estão mais preocupados com a prosperidade do quê com a própria salvação. Por isso enquanto eu lavava a louça no sábado escutando mp3 e fingindo que sou uma estrela do rock usando uma colher como microfone, fui assaltado pelo pensamento: “E se eu for um deles?”. Mais que depressa comecei a repassar mentalmente minha trajetória – E não foi surpresa nenhuma encontrar uma lista de erros de conduta que se fossem empilhados chegariam até marte. “Por onde começar”– pensei enquanto lavava meu ‘microfone’. Assim, enquanto a pia estava perigosamente lotada de louça e eu estava perigosamente inspirado, elaborei a lista dos top 5 erros na vida dos cristãos:
Aceitar tudo que vem do púlpito
A maior parte dos pregadores hoje tem a intenção de se promover ou de entreter, com sermões cheios de frases feitas. Encontrar um comprometido com o evangelho de Cristo é mais difícil que varrer escada à cima. Por isso conhecimento bíblico é tão importante, devemos submeter tudo as escrituras e analisar se provem de Deus ou não. Como dizia Martinho Lutero "Qualquer ensinamento que não se enquadre nas escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias" – Isso explica muita coisa.
“não foi surpresa nenhuma encontrar uma lista de erros de conduta que se fossem empilhados chegariam até marte”
Encobrir pecados
A cena é clássica: o sujeito se aproxima da porta do armário e ao girar a maçaneta é soterrado por uma avalanche de tralhas escondidas. Não confessar nossas fraquezas e procurar melhorar sem dúvida resulta numa vida espiritual mais fraca que choque de pilha: Aquele que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas aquele que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Provérbios 28:13. Touché.
Comportamento fail
Somos observados – por Deus e pelos homens. Mais importante do que parecer o cristão deve ser. A chave para se conseguir isso é a vigilância: Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. 2 Coríntios 13:5. Uma conduta errada não só trás escândalo aos que estão ao redor como prejuízos a si mesmo.
Falta de oração
Dificilmente se mantem uma relação de companheirismo sem conversa. O mesmo ocorre entre nós e Deus, o ‘orai sem cessar’ em 1 Tessalonicenses 5:17, tem muito mais a ver com nossa carência do que com uma obrigação divina, já que tendemos a desanimar sem experiências diárias. Além do quê, vivendo pela fé, nossas necessidades devem ser conhecidas por Deus através da oração. Filipenses 4:6. Mais do que um hábito, orar é crucial.
Amar a Deus
Todos cristãos são unanimes na ideia de que amam a Deus – pelo menos na teoria. Mas amor requer prática e pratica consome empenho e tempo, duas coisas em falta nos dias modernos. Afinal “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” não é tarefa fácil, leva uma vida inteira. Para aqueles que acham que estão perdendo tempo nessa empreitada, um aviso de Mateus 16:25: Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. Bingo!
O cristão e sua Bíblia
Imaginar um cristão sem sua Bíblia é o mesmo que pensar em Michael Jackson sem cirurgia plástica. Afinal a Palavra de Deus Revelada ao homem não é somente um livro, essa espécie de bula para a humanidade é indispensável na trajetória do cristão em qualquer situação.
Assim, quando meu amigo Lucas mencionou que precisava de um Bíblia nova – porque, segundo ele, sua ultima tinha sido devorada por sua cachorra de estimação ‘Nicole’ – eu não hesitei em lhe ajudar. E num sábado onde participaríamos da comunhão da Santa Ceia a noite, rumamos com passos fortes até a Galeria Pedro Jorge, uma espécie de Beco Diagonal dos evangélicos em Fortaleza, Ceará. No caminho Lucas me explicava que o estado do Ceará também tem as quatro estações do ano, porém elas são “pouco visíveis”, mas eu dei risada imaginando alguém andando de cachecol no ‘inverno’ do nordeste com o termômetro marcando 30°C.
Ás 10:30h chegamos à primeira livraria, e ao dar o primeiro passo dentro da loja, um vendedor sorridente nos abordou:
– Posso ajuda-los?
– Sim – respondi – estamos procurando uma Bíblia.
– Uma Bíblia! – disse o vendedor, sorrindo ainda mais – alguma linguagem em particular?
– Sim, a NVI – respondeu meu amigo.
“Ou você escolhe sua Bíblia dentro de cinco minutos, ou eu vou lhe comprar aquela Bíblia fosforescente amarelo limão!"
Este dialogo foi o suficiente para ele nos levar por um labirinto de estantes, onde a cada uma ou duas prateleiras ele pegava uma Bíblia e comentava algo a nosso respeito. Quando pegou uma Bíblia do Executivo ele falou “Vocês são executivos? Vocês parecem executivos”. Quando nos mostrou a Bíblia do Obreiro ele falou “Vocês são obreiros? Você parecem obreiros”. Estávamos perto da sessão de Bíblias para mulheres, e eu apressei-me em sair de lá, ou ele acabaria perguntando “Vocês são mulheres?”.
Infelizmente meu amigo não gostou de nenhuma, e quando proferimos a frase mais odiada pelos lojistas – um “vamos continuar procurando” – o sorriso do vendedor se desfez rapidamente, e ele falou automaticamente “certo, boa sorte na sua compra”. Mais que depressa nos abandonou refazendo seu sorriso e rumando para outro cliente que acabara de entrar. “Posso ajuda-lo?”.
Na próxima loja nenhum nenhum vendedor nos acompanhou tão de perto – o que foi um alivio. A moça na entrada só nos informou onde se encontravam as Bíblias. Completando 18 anos, Lucas ainda é o tipo de rapaz que aparenta ter apenas 13 ou 14, isso faz os vendedores lhe mostrarem livros como A Bíblia do Adolescente com sua tradução NTLH e seus comentários do tipo “namorar ou ficar?”. Além do quê, ‘decisão’ não é um dos pontos fortes do meu amigo, e depois de uma hora de escolhas sem sucesso eu comecei a compreender os vendedores. Por fim eu falei:
– Ou você escolhe sua Bíblia dentro de cinco minutos, ou eu vou lhe comprar aquela Bíblia fosforescente amarelo limão!
Finalmente, encontramos a Bíblia ideal, a “Bíblia fé”. Só havia um problema: aparentemente o único exemplar restante era o que estava no mostruário, e este vinha com pequenos arranhões. Quando soube disso, meu amigo fez uma cara de ‘eu-não-vou-levar-essa-Bíblia’. “Oh! Céus” – pensei – enquanto procurava sem fé outro exemplar da ‘Bíblia fé’. Foi quando para minha surpresa, atrás de uma cessão da “Bíblia falada em CD” encontrei mais três exemplares lacrados da Bíblia Fé, e então subitamente entendi o significado de “A fé vem pelo ouvir”. Mesmo sendo lacrados, Lucas ainda demorou-se em escolher a ‘melhor’ delas, e tive que me controlar para não partir-lhe a garganta ao meio. Já no caixa ao ver minha compra a atendente falou “é uma excelente Bíblia”.
“Nem me fale” – pensei, enquanto deixava a loja para ir lanchar.


